A descoberta de um pai. Vouyer para minha filha 2
Um gemido alto arrancou Osmar do sono. Sentou-se desorientado, o corpo nu, pesado de cansaço. O som insistia a cadência úmida de sexo, o estalo rítmico de carne contra carne molhada, respiração ofegante e um gemido agudo que ele conhecia bem. Tateou a origem do ruído e encontrou o celular.
Na tela, Alya. Sua filhinha. Entregue ao homem que a filmava, recebendo-o até o fim, o rosto que ele julgava inocente desfeito em prazer. Até ontem, ela era sua garota comportada. Agora era carne na tela e o vídeo mostrava o exato momento em que o outro gozava dentro dela.
O pau de Osmar já estava duro. De nada adiantara a noite inteira punhetando-se até a exaustão, os sonhos perversos que o haviam habitado até aquele gemido despertá-lo. Ver Alya naquela posição filmada, fodida, possuída o deixava irracional. E excitado como nunca.
Mesmo com o pau duro latejando por Alya, Osmar precisava enfrentar o mundo real. Levantou-se e foi ao banheiro. Debaixo do chuveiro, fechou os olhos — e ela veio. Invadiu sua mente inteira: o corpo nu, a pele macia que ele conhecia de cor, as coxas, a cintura, a bunda empinada, os seios pequenos de curva leve — nada exagerado, do jeito que ele amava —, os biquinhos excitados. E aquela buceta. Lisa, molhada, o clitóris exposto como um botão rosado pedindo língua.
A água caía morna sobre os ombros de Osmar, escorria pelo peito, pelos flancos, e ele ainda não se movera. Estava parado sob o chuveiro como quem espera que algo lave também por dentro.
Fechou os olhos. E soube, no instante em que as pálpebras desceram, que cometera um erro.
Alya surgiu inteira — não como lembrança difusa, mas como presença. A água agora parecia a ponta dos dedos dela descendo por seu ventre. Osmar encostou a testa no azulejo frio, a respiração já mais pesada. A pele macia dela. Ele conhecia cada centímetro daquela pele de cor, de boca, de imaginação. Conhecia o mapa das pintinhas nas costas, o modo como a cintura afinava e alargava nos quadris, a bunda que se empinava sozinha quando ela dormia de bruços e o deixava insone de desejo.
A mão direita desceu. Devagar. Como se ainda pudesse resistir.
A mente já não resistia. Mostrava a ele, frame por frame, o vídeo que o despertara. Alya de quatro. A curva das costas, os seios pequenos balançando a cada investida do homem atrás dela. Osmar sempre amara aqueles seios não eram grandes, e era exatamente por isso que o enlouqueciam: cabiam na boca, na palma da mão, e os biquinhos ficavam tão duros ao menor sopro. No vídeo, estavam duros assim. Excitados para outro.
Osmar gemeu baixo, a mão agora fechada em torno do próprio pau, os movimentos lentos, quase preguiçosos, enquanto atrás dos olhos o filme continuava.
O homem do vídeo segurava a cintura de Alya com força. Osmar reparou nisso reparou nos dedos que marcavam a carne dela, na forma como ela empurrava o quadril para trás, encontrando cada estocada com uma fome que ele nunca vira. E o som. Aquele som molhado que vazava do celular e preenchia o banheiro, misturando-se ao ruído do chuveiro. O som de uma buceta ensopada sendo fodida. A buceta dela. Que ele conhecia lisinha, o clitóris pequeno e rosado que se escondia tímido até ser tocado e que no vídeo estava exposto, inchado, oferecido à câmera como uma confissão.
A mão acelerou. Osmar não tentou mais se conter.
Agora era o carro. O biquíni que ele comprara anos atrás, quando Alya ainda corava ao experimentá-lo na frente dele, na época ele tinha amado como ele ficou perfeito naquele corpinho pequeno, sua filhinha estava tão linda. No vídeo, o mesmo biquíni estava de lado, a parte de baixo afastada, e ela sentava no pau de um homem que Osmar nem conhecia. Rebolava. Rebolava devagar, olhando para trás, os lábios entreabertos, e dizia coisas que o áudio não captava, mas que Osmar ouvia mesmo assim — porque as inventava, porque as queria ouvir, porque precisava imaginá-la suja, sim, suja, a sua Alya dizendo “me enche de porra por favor”.
O pau pulsava na sua mão. Ele já não se masturbava era ela quem o masturbava de dentro da sua cabeça. As coxas dela. Aquele espaço quente entre as coxas. O gosto. O cheiro. Alya molhada tinha um cheiro que ele reconheceria de olhos vendados, e agora o cérebro pervertido de Osmar misturava esse cheiro com o do carro fechado, com o suor dos homens, com o ar-condicionado e o couro dos bancos. Ela ali, no centro, sendo usada. E amando.
O corpo de Osmar ficou tenso. A respiração, curta. A mão subia e descia com força agora, o prazer se acumulando na base da espinha, e a imagem final a que o desmontou foi a mais simples: Alya sorrindo para a câmera enquanto o homem gozava dentro dela. Um sorriso calmo, quase íntimo. Como se dissesse é isso que você nunca vai ter papai.
Ou como se dissesse é isso que você sempre quis ver papai.
Osmar gozou com um gemido rouco, a testa ainda colada no azulejo, a água levando embora a porra enquanto o nome dela se desfazia na sua boca sem som. E soube, ali, ainda trêmulo, que algo nele se rompera de vez. Não havia mais como esconder. Não dela. Não de si mesmo.
******
Osmar ficou sentado na cama por um longo minuto. O corpo ainda úmido, a toalha largada no chão, o pau agora quieto mas a mente aos berros. O vídeo ainda rodava em algum lugar atrás dos seus olhos — Alya, os gemidos, o homem gozando dentro dela —, mas agora a excitação dera lugar a uma agitação de outra natureza. Mais funda. Mais gelada.
Ele não conseguiria trabalhar. Não conseguiria sair de casa, vestir a máscara de homem funcional, responder e-mails, tomar café. Só uma coisa ocupava sua mente. Quem era o "amigo"?
A palavra amigo lhe pareceu ridícula agora. Repulsiva. Os dois nunca haviam trocado nomes verdadeiros. Em anos de conversas, de compartilhar material proibido, de alimentarem juntos aquela fome secreta, jamais haviam perguntado a origem dos vídeos. Não importava. O que importava era o acesso. As imagens que chegavam como oferendas sujas no meio da madrugada. A cumplicidade silenciosa de dois homens que se entendiam sem se conhecer.
Mas agora o rosto no vídeo era Alya. A buceta filmada era a dela. O gemido era o dela. E isso mudava tudo.
Osmar pegou o celular. Sentiu o peso do aparelho na mão, a superfície lisa, o vidro frio. Seu polegar pairou sobre o chat. Ele respirava pela boca, devagar, como quem se prepara para abrir uma porta atrás da qual pode não haver nada ou tudo.
Digitou.
Oxx07: Você está aí?
A resposta veio mais rápido do que ele esperava. Como se o outro já estivesse olhando para a tela. Esperando.
7Tt22: Oi amigo. Gostou dos vídeos?
A palavra amigo agora vibrava diferente. Tinha gosto de deboche. Osmar sentiu um calafrio que começou na nuca e desceu pela espinha. O tom era casual, quase terno, e por isso mesmo perturbador.
Oxx07: onde você conseguiu esses vídeos?
Ele nunca perguntava isso. Nunca. E o outro sabia. A pausa que se seguiu — três, quatro segundos, uma eternidade na comunicação digital — foi a confirmação silenciosa de que as regras do jogo haviam mudado.
7Tt22: Porque quer mais?
A pergunta era uma armadilha. Osmar sentiu o cheiro. Mas suas mãos já tremiam de raiva, de medo, de algo que não ousava nomear enquanto digitava.
Oxx07: Você tem mais?
7Tt22: sim, tô com um arquivo impressionante. Tenho certeza que você vai amar.
A resposta viera rápida de novo. Rápida demais. Como se o arquivo já estivesse separado, renomeado, pronto para ser enviado. Isso não era improviso. Isso era planejamento.
Oxx07: da mesma menina?
Osmar prendeu o ar. A pergunta era um blefe e uma súplica ao mesmo tempo. Ele queria ouvir um não. Precisava ouvir um não, é outra pessoa, Alya não tem nada a ver com isso, foi coincidência. Mas o que veio foi pior.
7Tt22: Você sabe que sim amigo. Você não ia aproveitar se fosse outra meninha.
Osmar estremeceu. O corpo inteiro. Porque até ali ele ainda podia fingir que estava no controle, que era um homem investigando uma suspeita. Mas aquela frase você não ia aproveitar se fosse outra menininha desmontou qualquer defesa. O outro sabia. Sabia quem era Osmar. Sabia o que Alya significava. Sabia o que aqueles vídeos fariam com ele.
E pior: sabia que ele tinha aproveitado.
O silêncio de Osmar deve ter sido eloquente, porque a próxima mensagem chegou sem pressa. Veio pingando na tela como uma gota grossa.
7Tt22: Vamos Osmar não adianta ficar nesse joguinho de anonimato, te dei um presente que qualquer homem pagaria uma fortuna para ter, qualquer pai sonharia de ter acesso um material tão bom deu sua filhinha sendo uma putinha perfeita, esperaria um agradecimento do meu amigo.
O nome. Ele usou o nome. Osmar. Assim, sem código, sem disfarce, como quem tira a máscara do outro enquanto mantém a sua. A palavra escrita o deixou nu. Não do tipo que estivera minutos antes no chuveiro nu de alma, exposto, reconhecido por alguém que ele não podia reconhecer de volta.
O celular pesava na mão. A tela brilhava. E Osmar entendeu, com uma clareza que lhe revirou o estômago, que não era mais um homem consumindo um vídeo proibido na privacidade do seu banheiro. Ele era parte do vídeo agora. O espectador havia se tornado personagem.
Oxx07: quem é você?
Osmar esperou. A tela brilhava no quarto escuro, e ele via o próprio reflexo fantasmagórico no vidro — um homem de meia-idade, nu, sentado na beira da cama, o semblante tenso, a respiração curta. Três pontinhos piscaram no chat. O outro digitava. Depois parava. Digitava de novo. Como se saboreasse a hesitação.
7Tt22: um amigo 😃
O emoji era uma crueldade à parte. Um rostinho amarelo sorrindo depois de desmontar o anonimato dele. Osmar sentiu o estômago se contrair. Amigo. Aquela palavra, antes, era a única coisa verdadeira nessa relação doentia. Com esse estranho sem rosto, Osmar nunca precisara mentir. Não precisava esconder os vídeos que consumia, os desejos que o mantinham acordado de madrugada, a fome que sua vida de homem respeitável jamais saciara. Ali, naquele chat, ele era apenas um pervertido. Um igual. Pela primeira vez em anos, estivera verdadeiramente nu.
Mas agora a nudez era literal. E tinha plateia.
7Tt22: o que? Está com medo não precisa está só estou te ajudando se aproximar dela.
A mão de Osmar tremia sobre a tela. Ele queria digitar uma negativa, uma afronta, algo que recuperasse o controle. Mas o polegar não obedecia. Porque o outro tinha razão — ele estava com medo. Não de uma ameaça física, mas do que aquela proximidade revelava sobre si mesmo. O amigo não estava lhe dando apenas vídeos. Estava lhe dando Alya. E o pior: Osmar queria recebê-la.
Ele se recostou na cabeceira. Fechou os olhos por um instante e a verdade veio. Desde a separação, ele se afastara de sua filha. Parara de visitar a casa que um dia fora dos dois. Parara de ligar, de perguntar, de existir na vida dela. Dissera a si mesmo que era necessário. Um homem não pode servir a dois senhores, e Osmar escolhera servir à sua própria escuridão. Achava que, longe dela, poderia se entregar completamente ao que era sem que Alya, sua preciosa filha fosse contaminada. Sem que ele precisasse vê-la como via as meninas dos vídeos.
Mas o distanciamento fizera o oposto. Criara um vácuo. E nesse vácuo, Alya florescera longe dos seus olhos e exatamente como ele secretamente desejara. Ela se tornara uma putinha. A palavra doía e excitava. Putas eram para ser fodidas, filmadas, compartilhadas. E Alya agora era todas as meninas dos vídeos ao mesmo tempo, mas com um detalhe que nenhuma delas tinha: ela era real. Ela era sua. Sangue do seu sangue.
Oxx07: não tenho medo de você. Só quero saber a verdade.
A resposta veio sem pausa. Sem os três pontinhos dançantes.
7Tt22: Quer mais vídeos?
Era uma isca. Grosseira, óbvia, quase insultante de tão desavergonhada. O outro nem se dera ao trabalho de responder à demanda por verdade. Ofereceu o que sabia que Osmar aceitaria. O que sabia que ele já estava aceitando desde o primeiro segundo, desde o primeiro gemido de Alya vazado do celular naquela manhã.
Osmar olhou para a pergunta. Quatro palavras na tela. Seu polegar pairou sobre o teclado. Ele podia dizer não. Podia bloquear o contato. Podia se vestir, sair de casa, ir trabalhar e fingir que aquela manhã nunca acontecera. Podia deixar Alya onde ela deveria estar no papel de filha , na inocência, protegida, amor paternal sua pequena menina que ainda brincava de boneca, fora do alcance da sua fome.
Mas havia o vídeo. Havia o som molhado dela fodendo. Havia os peitinhos balançando, o clitóris rosado exposto, o sorriso de puta satisfeita. E havia mais. O outro dissera que tinha mais. Um arquivo impressionante, ele dissera. E Osmar sabia, sabia com a certeza que um viciado tem ao sentir o cheiro da substância que diria sim.
Ele se sentiu fraco. E se sentiu vivo. As duas coisas ao mesmo tempo, misturadas num coquetel que lhe subia à cabeça e lhe descia ao pau. Ser fraco era humilhante. Mas era também libertador. Porque admitir a fraqueza significava parar de lutar.
Oxx07: sim
A palavra foi enviada antes que ele pudesse se arrepender. Pequena, curta, definitiva. Osmar a observou na tela como quem observa uma porta se fechando para sempre. Ou se abrindo.
Ele estava nu. O pau já não estava mais quieto. E do outro lado, o amigo sem nome, o homem que talvez fosse seu destruidor ou seu salvador, o dono dos vídeos e talvez dono de Alya, começava a digitar novamente. Três pontinhos dançando na escuridão do quarto, prometendo mais.
Osmar esperou. Sedento.
A tortura era meticulosa. O outro nunca entregava tudo. Cada mensagem trazia migalhas um vídeo de quarenta segundos, uma foto tirada do ângulo exato que mostrava tudo sem mostrar nada, um gemido que terminava antes do clímax. Ele sabia o que fazia. Alimentava Osmar com pequenas doses, o suficiente para mantê-lo faminto, nunca saciado. Era uma punição? Talvez. Ou talvez fosse só o modo como homens como eles funcionavam — adiando o banquete porque a fome era mais gostosa do que a satisfação.
A mensagem final chegou seca. Sem emojis, sem afeto:
Enviarei mais.
E pronto. O chat silenciou. Osmar encarou a tela por minutos, esperando os três pontinhos dançarem de novo. Não dançaram. Ele estava preso. Refém. E a pior parte era que não podia reclamar dependia da boa vontade do outro, da generosidade calculada de quem detinha a única fonte dos vídeos de sua filha. Alya. Sempre Alya.
*****
O banheiro do escritório tinha o cheiro asséptico de produtos de limpeza baratos e o zumbido constante da luminária fluorescente. Osmar trancou a porta e encostou-se na parede fria. Era horário de intervalo. Quinze minutos. Precisava ser rápido.
O celular na mão esquerda. A mão direita já descendo o zíper.
O primeiro vídeo era curto. Meio minuto, talvez menos. Mas cada segundo havia sido filmado para destruí-lo. Alya estava deitada de costas, os seios fora do quadro, as coxas abertas e os joelhos dobrados. O foco era um só: a buceta dela. Lisa, molhada, os lábios vaginais entreabertos como uma flor noturna que desabrocha no escuro. Osmar prendeu o ar.
A mão do homem entrava em quadro. Só a mão forte, dedos grossos, anônima. O polegar encontrou o clitóris de Alya e começou a esfregá-lo em círculos. Lentos. Vagarosos. Quase preguiçosos, como se o dono da mão tivesse todo o tempo do mundo e nenhuma pressa de fazê-la gozar. Alya gemia baixinho, um som que vinha da garganta, abafado, quase um ronronar. E então a câmera desceu mais um pouco, enquadrando a entrada da buceta, e Osmar viu: o sêmen escorrendo. Branco, espesso, descendo devagar pelo períneo até manchar o lençol. Alguém já havia gozado dentro dela. E agora outro ou o mesmo, quem sabia? a acariciava assim, com a calma de quem já teve o que queria e agora brincava com a sobremesa.
Osmar gemia junto. A mão direita acompanhava o ritmo do polegar na tela devagar, só a ponta dos dedos roçando a glande, o prazer acumulando na base sem pressa de explodir. O vídeo terminou. Ele deslizou para o próximo.
Era um solo. Alya segurava o celular. Ela mesma se filmava. O enquadramento tremia um pouco, amador, íntimo, como se ela estivesse se olhando no espelho e decidisse, naquele instante, que queria ser vista, a visão juvenil, uma garota se divertindo se filmando com seu celular.
Os dois dedos indicador e médio entraram na boca. Ela os chupou devagar, os olhos fixos na lente, fazendo bico, lambendo as pontas com uma precisão ensaiada. Os dedos saíram brilhantes de saliva. Desceram. Passaram pelo pescoço, pela clavícula, e foram encontrar os mamilos.
Osmar quase gozou ali mesmo.
Ela circulava o botão rosado com a ponta molhada dos dedos. Primeiro um mamilo, depois o outro, enquanto sorria para a câmera. Um sorriso que não era inocente nem perverso era pior. Era cúmplice. Como se dissesse eu sei exatamente o que você está fazendo aí, sozinho, de pau na mão, pensando em mim. O mamilo endureceu sob a fricção. Ela mordeu o lábio inferior. O dedo continuava circulando, circulando, e Osmar circulava junto, o polegar sobre a glande imitando o gesto dela, o pau latejando, a respiração ofegante abafada pelo zumbido da luminária.
Maravilhosa. Ela era maravilhosa. E ele estava condenado.
Ele mudou para o próximo vídeo. E quase perdeu o ar.
Alya estava de corpo inteiro no quadro. Vestia um short minúsculo tão ínfimo que mais parecia uma calcinha, e nada além disso. Os seios nus, pequenos e firmes, os mamilos já durinhos. Ela dançava. Um funk, daqueles que viralizam, que meninas da idade dela não deveria está escutando, mas todas sabiam a coreografia, com a batida suja e o ritmo de acavalamento. Rebolava. Rebolava olhando para a câmera, as mãos nos joelhos, a bunda empinada balançando dentro do shortinho que engolia cada movimento. Ela ria. Mordia o lábio. Sabia exatamente o que estava fazendo.
Osmar sempre admirara a habilidade de dança dela. Já a achava sexy antes, quando ainda era mais nova, quando ainda moravam na mesma casa, quando dançar era só dançar. Uma menina dançando para seu papai. Agora era indescritível. Ela não dançava mais ela chamava. Convocava. Cada quebrada de quadril era um convite, cada rebolado era uma sentença: vem me pegar.
O vídeo seguinte mudou o ângulo. Agora era o homem quem filmava a câmera apontada para baixo, na vertical, capturando o próprio pau duro na mão. Alya estava de joelhos. A boca aberta, os olhos fechados, o rosto inclinado para cima como quem espera uma hóstia. Ele batia a carne dura contra a bochecha dela. Devagar. Uma vez. Duas. O gozo escorria da cabecinha e descia pelo rosto de Alya, um fio branco da testa ao queixo, e ela continuava ali parada, receptiva, obediente. Uma garota recebendo o pau no rosto como quem recebe chuva.
— Aaaaaa, porra...
Osmar gozou com a voz rouca, o corpo inteiro se contraindo, a mão suja, o celular quase caindo na pia. Ficou assim por um instante, a testa encostada no azulejo frio, o peito subindo e descendo.
Ainda trêmulo, abriu o arquivo de fotos.
Era um paraíso. Alya nua na cama, poses que fariam qualquer revista pornô parecer amadora — embora fosse ela a amadora ali. Dava para ver. Havia uma leveza nas fotos, uma espontaneidade que o profissionalismo não fabrica. Para ela era diversão. Uma brincadeira de ser modelo. Explorar a própria sexualidade sem medo, sem culpa, sem saber que cada clique era uma faca cravada no peito de Osmar.
As favoritas foram se revelando. Alya de quatro, a boca aberta e a língua para fora os olhos brilhando de safadeza. Alya sentada de pernas abertas, os dedos afastando os grandes lábios e a buceta escorrendo. Alya de joelhos, os braços erguidos segurando os longos cabelos, os seios expostos como uma oferenda. Alya com a cabecinha do pau encostada no mamilo. Alya dando uma mordida de leve na cabecinha do pau os dentes à mostra, o sorriso logo atrás.
E então a foto que o desmontou. Simples. Quase banal, se o paraíso pudesse ser banal. Ela estava sentada, os joelhos dobrados, as pernas abertas. A bucetinha molhada, o líquido escorrendo e manchando o lençol. Os mamilos marcados chupões e sinais de mordida, roxos e rosados. Os cabelos bagunçados. E o sorriso. Aquele sorriso. Aberto, feliz, genuíno. Como se dissesse sou sua puta e sou feliz. Osmar quis colocá-la como tela principal do celular. Quis que o mundo visse. Quis que todos soubessem. Mas sabia que não podia. Ainda não. Em um mundo ideal um pai poderia colocar a imagem de sua filha nua como papel de parede em seu celular e se orgulharia disso e outros o admiravam pelo homem que era.
Perfeita. Maravilhosa. E dele mesmo que ele não a tocasse ou a possuísse como um homem.
O celular vibrou. Osmar abriu os olhos,quando os fechara? e viu a notificação flutuando sobre a última foto:
7Tt22: Gostou?
Osmar respirou fundo. O homem domesticado.
Oxx07: sim
Simples assim. Sem ironia, sem resistência. Dessa vez ele apenas obedeceu. Precisava manter a amizade. Precisava manter o fluxo.
Oxx07: Preciso de mais.
Estava implorando. Humilhado. E nem se importava mais.
7Tt22: Mais tarde. Tenho reunião agora. Comporta-se. Um presentinho para meu amigo.
A tela brilhou com um vídeo novo. Osmar abriu imediatamente, o pau já dando sinal de vida outra vez, apesar do gozo recente.
Era diferente. Filmava Alya andando por um shopping. Ela vestia um tomara-que-caia rosa, a barra no meio das coxas, curto o suficiente para deixar o andar dela perigoso. Enquanto caminhava entre as vitrines, segurou a barra e levantou rapidinho a bunda nua, sem calcinha, empinada e branca contra o rosa do vestido. Ela ria. Ria muito, o rosto virado para trás, os olhos brilhando de malícia. Exibindo-se em público. Exibindo-se para a câmera. Para o homem. Para Osmar.
Corte.
Estavam sentados na praça de alimentação. Alya comia sorvete, a colher entrando e saindo da boca devagar. Deliberadamente devagar.
— Mostra pro paizinho.
A voz do homem veio de trás da câmera. A dinâmica de fetiche entre os dois deixava Osmar mais excitado do que qualquer nudez explícita. Havia intimidade ali. Havia poder.
Alya tirou a colher da boca e sorriu. Puxou o topo do vestido para baixo, exibindo os peitinhos. Pegou um pouco de sorvete na colher e deixou escorrer sobre o mamilo. Quando o gelado tocou a pele sensível, ela riu — um riso espontâneo, quase infantil. O polegar do homem entrou em quadro e limpou o mamilo, espalhando o sorvete e arrancando um suspiro dela.
Corte.
Agora estavam numa loja. Prateleiras coloridas de doces empilhados até o teto. Alya olhava para a câmera com olhos pidões.
— Paizinho compra para mim.
A voz dela estava diferente. Adocicada. Infantilizada. Totalmente imersa na dinâmica de fetiche que partilhava com aquele homem. Ele se aproximou e segurou a barra do vestido, levantando-a. A câmera enquadrou na pepequinha nua de Alya no meio da loja. O zoom foi lento, orgulhoso, como quem exibe um troféu. Ao fundo, um funcionário passou e olhou um olhar rápido, curioso, que podia ser choque ou desejo. Alya sorriu. Excitada. A pepequinha escorrendo, molhadinha, brilhando sob as luzes fluorescentes da loja de doces.
— Paizinho compra tudo que minha princesa quiser.
A voz do homem veio segura. Enquanto falava, ainda segurava o vestido para cima. Mostrando para a câmera. Mostrando para Osmar. Mostrando que Alya tinha dono.
A tela escureceu. O vídeo pausou num frame congelado na pepequinha molhada de Alya exposta na loja, o funcionário ao fundo, ela sorrindo.
Osmar continuou ali, de pé no banheiro do escritório, o pau duro na mão, a respiração pesada. Olhou para a palavra que ainda dançava na sua mente: comporta-se. Como se ele fosse um animal adestrado. Como se o outro soubesse que ele esperaria. Que ele não ousaria gozar de novo até receber permissão ou material novo.
E o mais devastador: estava certo. Sempre estivera.
Osmar guardou o pau. Fechou o zíper. Lavou o rosto na pia. No espelho, encontrou o reflexo de um homem que já não sabia distinguir a tortura do presente, o desejo da dependência, o vício do amor.
***
Já era 00:39 quando o celular vibrou sobre o criado-mudo. Osmar não dormia. Estava deitado na cama, o quarto escuro, o corpo exausto, mas a mente girando como um carrossel quebrado. As imagens de Alya não o abandonavam. Ficavam atrás das pálpebras, projetadas na escuridão do teto, misturando-se ao zumbido silencioso da madrugada.
A notificação brilhou.
7Tt22: Fez bom proveito?
Osmar sentiu o coração acelerar. Havia algo naquela pergunta uma falsa cortesia, uma elegância de carrasco. O outro sabia que ele fizera bom proveito. Sabia que ele passara o dia inteiro preso aos vídeos, às fotos, ao banheiro do escritório, ao gozo rouco e à humilhação de implorar por mais. A pergunta não era uma gentileza. Era um lembrete. Eu sei o que você fez. Eu sei quem você é.
Oxx07: Sim. Não consigo parar de assistir.
A confissão veio sem resistência. Para que mentir? O outro já o conhecia. Já o despira. Já o domara.
A resposta chegou rápida, quase terna:
7Tt22: nossa garota é maravilhosa não é mesmo?
Osmar leu a frase. Depois releu. E uma terceira vez.
Nossa garota.
Duas palavras. Um pronome possessivo que mudava tudo. Não era a garota. Não era sua garota. Era nossa. O plural era uma faca entrando devagar. Osmar sentiu o fio frio penetrar enquanto as peças se juntavam no tabuleiro da sua mente insone.
O homem das filmagens. Aquele que filmava Alya de joelhos recebendo o pau no rosto. O que segurava a barra do vestido rosa e exibia a buceta dela na loja de doces. O que chamava de "princesa" e era chamado de "paizinho". O homem que estava dentro dela, sobre ela, atrás da câmera, atrás do chat.
Era ele.
Oxx07: nunca imaginei que Alya poderia ser uma putinha perfeita.
Era uma rendição e um elogio. Um reconhecimento de que o outro conseguira o que Osmar jamais ousara tentar. Transformar Alya. Revelar Alya. Fazer brotar da garota comportada a puta que ele sempre quis ver.
7Tt22: Não poderia deixar o pai sem saber como sua filha é de verdade é injusto só deixar você sem saber.
Injusto. A palavra martelou na cabeça de Osmar. Havia ali uma distorção perversa de empatia. O outro falava como se estivesse fazendo um favor. Como se Osmar fosse um homem faminto diante de um banquete, e ele, o amigo generoso, tivesse feito questão de filmar cada prato antes de comê-lo. Para que Osmar pudesse ao menos ver. Cheirar. Babar.
Oxx07: Parece que o pai é o último a saber.
Havia mágoa nessa frase. Uma mágoa pequena, patética, que não tinha direito de existir e ainda assim existia. Osmar era o pai. O homem que a amara, que a criá-la, a educação, cuidou dela, que conhecia o cheiro do seu cabelo ao acordar, o primeiro amor de uma menina. E agora era o último da fila. O último a saber no que ela se transformara. O último a ser convidado para o banquete e mesmo assim, apenas como espectador.
A resposta veio carregada de orgulho:
7Tt22: não se preocupe amigo eu fiz questão de ensinar ela direitinho.
Ensinei ela direitinho. O verbo era didático, quase paternal. Não era comi, não era fodi, não era transformei. Era ensinei. Como quem educa. Como quem adestra. Como quem pega uma matéria bruta e a lapida até brilhar. Osmar sentiu o peito queimar. Ciúme sim, ciúme, o mais primitivo, o mais corrosivo misturado com uma passividade que o humilhava e excitava na mesma medida. Porque ele não queria brigar. Não queria ameaçar. Queria ouvir mais. Queria que o outro continuasse falando, contando, exibindo sua posse sobre Alya enquanto Osmar ficava ali, do outro lado da tela, de pau duro e alma rendida.
7Tt22: Fiz questão de registrar tudo para você.
Tudo para você. O presente era ele. O destinatário era ele. Cada ângulo, cada gemido, cada gozo escorrendo tudo filmado com Osmar em mente. Não era um vazamento. Não era um acidente. Era uma produção. E Osmar era o público-alvo.
Agora uma pergunta está respondida. Mas três novas ardiam na sua garganta.
Quem era ele? Qual o nome verdadeiro por trás do código 7Tt22? Como conhecera Alya em que festa, em que aplicativo, em que esquina do acaso? E como conhecia Osmar? Havia uma história ali, uma conexão anterior que Osmar não conseguia traçar, um fio invisível que ligava os três muito antes dos vídeos.
E a pergunta mais perigosa de todas, a que ficava por último porque queimava mais: por que ele está fazendo isso?
Vingança? Desejo genuíno de compartilhar? Exibicionismo? Ou algo mais sombrio, um jogo cujas regras Osmar ainda não compreendia, mas do qual já era a peça central?
O quarto continuava escuro. O celular brilhava na sua mão como uma brasa. Osmar esperava a próxima mensagem, o próximo comando, a próxima migalha. E odiava a si mesmo por esperar.
O celular vibrou outra vez. Presentes. Ele os chamava de presentes agora, e essa palavra — antes tão inocente — tornara-se sinônimo da sua ruína.
O primeiro vídeo carregou. A miniatura já era um soco: Alya nua numa banheira, a luz amarelada do motel banhando sua pele molhada. Osmar aumentou o brilho da tela e deixou o polegar repousar sobre o play. Apertou.
Era um motel. Estranho ver Alya num motel. Ele a conhecera em restaurantes com cardápio de couro, em livrarias silenciosas, em cafés da manhã de domingo com cheiro de pão fresco. Agora ela estava ali — num quarto anônimo, paredes espelhadas provavelmente, luz indireta, lençóis que já tinham visto mais sexo do que amor. E ainda assim, era excitante. Talvez por isso mesmo. Porque o motel era o território onde as mulheres deixavam de ser quem eram e se tornavam o que os homens queriam. E Alya se tornara exatamente isso.
A banheira transbordava de espuma. Ela estava de joelhos dentro d'água, as mãos apoiadas na borda de azulejo, a bunda empinada para fora da superfície — branca, lisa, as gotas de água escorrendo pelas coxas e se perdendo na espuma. O homem estava atrás dela. Sem rosto, como sempre. A câmera o cortava no pescoço, nos ombros, às vezes no tronco. Mas as mãos estavam lá. Mãos grandes. Dedos grossos. E agora essas mãos agarravam a bunda de Alya e a abriam.
Osmar conteve o ar. O cuzinho dela ficou exposto — pequeno, apertado, rosado, um anel perfeito que a câmera enquadrava com uma precisão quase artística. O homem mantinha as nádegas afastadas com as duas mãos, exibindo-a. Exibindo-a para a câmera. Para Osmar. Como quem diz olha só o que eu posso comer e você não.
Então ele soltou uma das mãos e segurou o pau. Grosso. A cabecinha brilhando. Posicionou na entrada apertada e começou a empurrar.
Alya gemeu. Um gemido que começou fino e foi engrossando conforme o membro a preenchia. Osmar via o cuzinho se esticando, a pele clara se adaptando à invasão, a carne dele desaparecendo centímetro por centímetro dentro dela. Impressionante. Entrou inteiro. Até a base. Até que as coxas do homem encostaram na bunda dela e não havia mais nada a ser enfiado — só o corpo dele colado ao dela, os dois unidos na água morna.
Osmar já estava com o pau na mão. Doía. Doía de tão duro, de tão excitado, de tão ciumento. Ele se masturbava devagar, acompanhando o ritmo da penetração na tela, e seus olhos iam da imagem ao detalhe, do detalhe à mente, da mente ao desespero. O contraste era insuportável — Alya magra, a cintura fina que ele conhecia de cor, as costelas levemente desenhadas sob a pele, e aquela mão enorme agarrando sua carne como se fosse pouca coisa. Uma boneca. Uma posse.
— Aaaaa, paizinho...
A voz dela saiu trêmula. A água batia nas bordas da banheira com o movimento dos corpos. O som da penetração era molhado e rítmico — aquele estalo de carne entrando e saindo da pele esticada, misturado aos gemidos e ao barulho da água. Osmar fechou os olhos e deixou os sons preencherem o quarto escuro. Ele não precisava mais ver. Os sons bastavam. Contavam a história inteira.
— De quem é esse cuzinho?
A voz do homem era grave. Autoritária. Não perguntava — ordenava.
— É seu, papai... aaaa...
— Princess gosta de ter o cuzinho comido?
— Sim, paizinho... aaaaa...
A conversa suja era o que desmontava Osmar. Não era só o sexo — era a entrega. Alya não estava apenas sendo fodida. Ela pertencia. Cada palavra que saía da sua boca era uma declaração de propriedade. Ela era a Princess. Ele era o paizinho. E Osmar não era nada. Nada além de um homem no escuro, de pau na mão, assistindo à felicidade de outro.
O vídeo continuou. O homem metia com força agora, a água espirrando, os gemidos de Alya cada vez mais agudos, e Osmar acompanhava — a mão subindo e descendo no próprio pau, o polegar roçando a glande a cada estocada que via na tela. Ela olhou para trás. Por um segundo, seus olhos pareceram encontrar a câmera. Encontrar Osmar. E ela sorriu. Não era um sorriso para o homem que a comia. Era um sorriso para quem assistia.
Ou talvez Osmar só quisesse acreditar nisso.
O vídeo terminou. A tela congelou num frame da banheira, a mão do homem ainda agarrada na cintura dela, o corpo de Alya curvado em submissão. Osmar estava ofegante. O pau pulsava na sua mão, o gozo acumulado na base, mas ele não queria gozar ainda. Não sem ver o resto. Não sem saber o que mais o amigo lhe reservava.
O chat brilhou.
7Tt22: O cuzinho dela é uma jóia. Tive que ensinar com paciência, mas ela aprendeu.
Osmar encarou a mensagem. Tive que ensinar. De novo o verbo. De novo a reivindicação de autoria. Alya não nascera uma pervertida fora esculpida. E o escultor agora mandava mensagens de madrugada, compartilhando sua obra-prima com o homem que a fizera.
Osmar não respondeu. Apenas esperou o próximo vídeo chegar.
O vídeo seguinte o deixou em alerta antes mesmo de começar. A miniatura mostrava Alya deitada ao sol, os olhos fechados, a pele dourada. Mas não era a nudez que o perturbava. Era o lugar.
A varanda.
Osmar conhecia aquela varanda. Conhecia cada detalhe o piso, a mureta branca com pequenas rachaduras no canto esquerdo, a samambaia que Alya sempre esquecia de regar pendurada no gancho. Era o apartamento que ela e sua mãe alugara logo depois do divórcio. Aquele onde Osmar pisara poucas vezes em algumas visitas que ele fez para ela, mas cujas fotos ela lhe enviara quando ainda trocavam mensagens amigáveis, quando ainda havia esperança de um reencontro civilizado com a mãe dela de voltarem a ser uma família.
O vídeo era antigo.
A compreensão caiu sobre ele como uma lâmina fria. Não era recente. Não era de semanas ou meses atrás. O homem conhecia Alya há mais tempo. Muito mais. Enquanto Osmar estava mergulhado na sua própria escuridão, afastando-se dela para protegê-la de si mesmo, o outro já estava lá. Filmando. Ensinando. Possuindo.
Ele apertou o play com o polegar trêmulo.
— Tá aproveitando o sol, princesa?
A voz do homem vinha de trás da câmera, a mesma voz grave de sempre, mas agora com um tom mais leve. Quase terno. Alya estava deitada de costas numa espreguiçadeira improvisada, uma toalha colorida sob o corpo, os olhos fechados contra a claridade. Totalmente nua. Sem vergonha. Sem medo. Como se estar exposta na varanda, com um homem a filmando, fosse a coisa mais natural do mundo.
— Quero ficar bronzeada.
Ela respondeu sorrindo, sem sequer abrir os olhos. Havia uma leveza na voz dela que doeu em Osmar. Era a leveza de quem confia. De quem se sente segura.
A câmera deslizou pelo corpo dela os seios pequenos, a barriga lisa, o monte de Vênus liso, as coxas levemente afastadas. Osmar engoliu seco. Depois a mão do homem entrou em quadro. E nela, um pedaço de gelo.
O gelo tocou os lábios de Alya primeiro. Ela suspirou com o contato frio, e o homem deslizou o cubo lentamente pelo queixo, pelo pescocinho, pela clavícula. A câmera acompanhava o percurso como quem documenta uma expedição. Quando o gelo chegou aos seios, ela já estava com os mamilos duros não de frio, mas de antecipação.
Ele circulou o mamilo esquerdo. Depois o direito. O gelo derretia ao tocar a pele quente, e pequenas gotas escorriam pelas laterais dos seios, descendo pelas costelas. Alya gemeu baixinho, um som que vinha do fundo da garganta, quase um ronronar.
Osmar sentiu o peito apertar.
Aqueles mamilos. Ele os conhecia. Conhecia desde antes dele se afasta dela, desde a época em que ainda fingia ser um homem do bem um pai exemplar e ele inventava desculpas para tocá-la cócegas, brincadeiras, a mão boba que descansava nas costelas e os polegares que "sem querer" roçavam os biquinhos por baixo do tecido. Ela ria. “Para, hahaha, eu tenho cócegas.” E ele parava, morrendo de tesão e de culpa, sentindo-se sujo por se aproveitar da inocência dela.
Agora via outro homem estimulando aqueles mesmos mamilos. Explicitamente. Sem culpa. Sem disfarce. E ela gemia de prazer em vez de rir.
Se ele soubesse antes. Se tivesse ousado. Se tivesse entendido que por trás das cócegas havia um corpo que respondia, uma menina que queria ser despertada, iniciada. Mas não soube. E agora era tarde.
O gelo desceu pela barriga. O homem fazia círculos lentos ao redor do umbigo, e Osmar lembrou-se das vezes em que encostava a boca ali e soprava, fazendo-a rir e se contorcer. Na época, era um momento divertido dos dois, brincadeira de pai e filha. Agora era outro homem desenhando caminhos molhados sobre a pele que um dia fora sua.
O gelo chegou ao monte de Vênus.
— Abre as perninhas, princesa.
Alya obedeceu. As pernas se afastaram devagar, revelando a buceta lisinha, os grandes lábios se abrindo como pétalas. O homem levou o gelo direto ao clitóris. Ela gemeu mais alto, o corpo arqueando ligeiramente, e ele começou a estimular o grelinho rosado com movimentos circulares. O gelo derretia rápido agora, misturando-se ao líquido que já escorria dela. Água e excitação descendo juntas, brilhando sob o sol da varanda.
Então a câmera mudou de ângulo. Agora filmava de cima. E Osmar viu o homem segurar o próprio pau duro, grosso, a cabecinha já molhada e encaixá-lo na entrada de Alya. Ela dobrou os joelhos. Abriu bem as pernas. Recebeu-o no meio delas como quem recebe uma visita esperada.
O gemido que ela soltou quando ele entrou foi diferente. Mais fundo. Mais cheio. O som de um corpo sendo preenchido.
— Gemendo alto assim... e se sua mãe entrar pela porta agora e te ver assim?
A provocação fez Osmar prender o ar. A mãe o homem estava dentro daquele apartamento sem mãe dela presente abusando da menina. Estava ali, dentro dela, fodendo-a na varanda do apartamento que ela dividia com a mãe, e ainda tinha a ousadia de lembrá-la do risco. A câmera captou o rosto de Alya no momento exato em que a vergonha a atingiu. Ela mordeu o lábio. Tentou conter o gemido. Mas o homem continuou metendo, e o gemido vazou mesmo assim mais baixo, mais contido, mas ainda ali. A vergonha não apagara o prazer. Só o tornara mais intenso.
Osmar percebeu que estava apertando o celular com força demais. Os dedos estavam brancos nas bordas. Ele os relaxou. Respirou. E deixou o vídeo continuar.
Quando terminou, ficou olhando para a tela escura. A varanda. O gelo. As cócegas que ele fazia e que agora outro homem transformara em sexo. A mãe. O risco. A confiança.
O último vídeo chegou sem alarde. Nenhuma mensagem provocativa, nenhum emoji, nenhum "gostou?". Apenas o arquivo, silencioso como uma sentença.
Osmar já estava exausto. O corpo doía da tensão acumulada, o pau sensível de tanta excitação não resolvida, os olhos ardendo de tanto fitar a tela na escuridão. Mas abriu o vídeo mesmo assim. Porque não conseguia não abrir. Porque cada vídeo era um degrau a mais na descida, e ele já estava fundo demais para começar a subir.
A cena começou diferente das outras. A câmera estava fixa, posicionada sobre um tripé ou um móvel, enquadrando a cama. Cama de lençóis brancos, cabeceira simples, um abajur aceso no canto. Cenário de motel. Ou de um quarto que ele não conhecia. O homem já estava lá — sentado na beira da cama, nu. De costas para a câmera inicialmente, depois se ajeitou de frente. E finalmente, depois de dezenas de vídeos sem rosto, ele apareceu.
Osmar segurou o celular com as duas mãos. Observou o rosto do homem como quem observa a fotografia de um criminoso. Não era um desconhecido completo e isso era o pior. Havia algo naquele rosto que cutucava uma memória distante, uma peça que ainda não se encaixava, mas que ele sabia que se encaixaria em algum momento. O homem tinha barba curta, cabelo escuro, um sorriso calmo. Não era ameaçador. Era pior: era simpático. Parecia alguém que pediria licença antes de destruir sua vida.
Então Alya entrou em quadro.
Nua. Os pés descalços sobre o carpete, os seios pequenos balançando levemente com o andar hesitante. Ela se aproximou do homem e sentou-se no colo dele de costas para o peito dele, de frente para a câmera. Ele a acomodou entre suas pernas abertas, os braços envolvendo a cintura dela como quem segura algo precioso. Ela olhou para a lente e acenou. Um aceno pequeno, os dedos se mexendo devagar. E sorriu. Um sorriso tímido. Inseguro. O sorriso de quem ainda não sabe se deve estar ali.
Osmar sentiu o ar fugir dos pulmões.
O cabelo. A franja. Ela cortara o cabelo um mês após o divórcio. Ele se lembrava perfeitamente. A tinha levado ao salão uma tarde de pai e filha uma promessa que ele ainda seria presente. Lembrava de elogiar o novo visual da filha. Um mês. Apenas um mês depois de assinarem os papéis, e ela já estava nos braços de outro. Sendo filmada. Sendo iniciada.
A cronologia agora era uma ferida aberta. Se um mês após o divórcio ela já estava nua no colo desse homem, sendo apresentada a uma câmera, então ele se infiltrara antes. Muito antes. Talvez quando Osmar ainda estivesse em casa. Talvez quando ainda houvesse casamento. Talvez quando Osmar fazia cócegas nela no sofá e acreditava que aquilo era sua família inocente longe de sua perversão incestuosa.
— Dá oi para a câmera, princesa.
A voz do homem era mansa. Didática. A voz de quem está ensinando alguém a andar de bicicleta,só que a bicicleta era a exposição do próprio corpo.
— Oi.
Alya respondeu baixinho. A voz quase sumiu no áudio. Ela estava encolhida, os ombros ligeiramente curvados, as mãos pousadas sobre os joelhos como uma menina numa entrevista. Osmar nunca a vira assim. Tão vulnerável. Tão despida e não só de roupa.
— Tá tão tímida.
O homem beijou a bochecha dela. Um beijo demorado, quase casto, que contrastava com a nudez de ambos. Enquanto a beijava, ele abriu as pernas dela devagar, as mãos espalmadas na parte interna das coxas, afastando-as até que a pepequinha lisinha ficasse completamente exposta para a câmera. Ela não resistiu. Deixou-se abrir como um livro que ainda não sabe que está sendo lido.
— Tá envergonhada de se mostrar?
— Tô.
A sinceridade da resposta cortou Osmar. Ela não estava interpretando uma puta submissa como nos vídeos do shopping, da banheira, da varanda. Não havia ali a performance da "Princess" pedindo para o "paizinho" comprar doces. Havia apenas uma menina do os pais recém-divorciados, vulnerável, entregue a um homem que sabia exatamente o que estava fazendo. Isso era o começo. Esse era um dos primeiros vídeos. Talvez o primeiro. Ela ainda estava nervosa, envergonhada, a excitação brigando com o pudor no rosto que corava. Inocente. Ainda não sabia como se comportar para a câmera. Ainda não aprendera a olhar para a lente e sorrir como quem diz eu sei o que você está fazendo aí.
O homem abriu mais as pernas dela. A buceta ficou ainda mais exposta os grandes lábios se separando, o clitóris aparecendo, o brilho da excitação denunciando que, apesar da vergonha, o corpo respondia. Ele passou a mão pela intimidade dela. Os dedos deslizaram molhados.
— Fala para seus futuros fãs qual é o seu nome. E idade.
Futuros fãs. A expressão atingiu Osmar como um estalo. O homem já planejava aquilo desde o início. Não era um amante filmando um momento íntimo. Era um diretor. Um produtor. Alguém que via na nudez de Alya não apenas prazer, mas conteúdo. Material. Um arquivo que cresceria por anos e que, um dia, chegaria às mãos de Osmar.
— Alya. E tenho…
Ela disse o próprio nome olhando para a câmera e a pouca idade. E havia algo naquele olhar ainda tímido, ainda inseguro, mas já com uma centelha. Uma semente. A semente do que ela se tornaria. A puta que dançava funk de shortinho, que gemia "paizinho" na banheira, que levantava o vestido no shopping. Tudo começou ali, naquele quarto, naquele colo, naquele "Oi" quase inaudível.
— Boa garota.
O homem sorriu. A mão ainda acariciava a buceta molhada de Alya, os dedos deslizando entre os lábios enquanto ele falava com a calma de quem tem todo o tempo do mundo.
— Hoje a gente vai fazer um filminho divertido, né, princesa?
— Sim.
Ela respondeu com um fio de voz. E havia ali, naquele "sim" pequeno e tímido, a rendição. O consentimento. O primeiro passo de uma jornada que a levaria dos lençóis brancos daquele quarto ao shortinho minúsculo, ao shopping, à banheira, ao "paizinho compra para mim". E à tela do celular de Osmar.
O vídeo continuava. Osmar não piscava. Ele olhava para o rosto do homem aquele rosto que finalmente aparecerá e tentava memorizar cada traço. Quem era ele? De onde o conhecia? Como se infiltrara na vida de Alya tão rápido, tão fundo, tão completamente? As perguntas que queimavam antes agora eram labaredas. Ele precisava de respostas. Mas também precisava terminar de ver o vídeo. Porque o homem estava deitando Alya na cama agora. Porque a câmera continuava filmando. Porque Osmar, apesar de tudo, queria ver o começo.
— Alya gosta muito de brincar de cavalinho. Não é, Alya?
A voz do homem era teatral agora. Dirigia-se à câmera como um apresentador de programa infantil só que o programa era pornográfico e a atração era a sua filha nua no seu colo. Osmar sentiu um arrepio de repulsa e excitação. A maneira como ele falava de Alya na terceira pessoa, como se ela fosse uma criatura a ser exibida, uma aluna aplicada mostrando seu talento para a classe.
— Sim.
Ela suspirou a resposta. Porque durante a pergunta, a mão do homem não parara. Os dedos massageavam o grelinho dela em círculos lentos, e o "sim" saiu mais como um gemido do que como uma palavra. Alya estava de olhos fechados, a cabeça recostada no ombro dele, o corpo entregue àquele toque que já conhecia, que já sabia exatamente onde ir.
— Ela quer mostrar para vocês como ela é boa cavalgando.
Vocês. Plural. Osmar engoliu seco. Naquele primeiro vídeo, quando ela ainda estava tímida e envergonhada, o homem já falava para uma plateia. Já plantava a semente da exibição. Já transformava Alya em espetáculo mesmo que o único espectador naquele momento fosse apenas um futuro incerto. Um futuro que agora tinha o rosto de Osmar.
O homem segurou a cintura dela com as duas mãos e a ergueu. Alya se moveu com naturalidade, como quem já conhecia o roteiro. Sua mão desceu e encontrou o pau dele duro, grosso, a cabecinha já brilhando. Ela o guiou com delicadeza, encaixando-o na entrada, e então desceu.
O gemido que ela soltou foi diferente de todos os outros. Não era um gemido de performance. Era um gemido de prazer genuíno, daqueles que saem do fundo do peito e não podem ser falsificados. O pau entrou inteiro dentro dela, e Osmar viu realmente viu a sincronia dos dois corpos. Eles se moviam juntos como se dançassem uma coreografia ensaiada muitas vezes. O quadril dele subindo, o quadril dela descendo, o encaixe perfeito, a umidade que brilhava na pele dos dois.
Não era a primeira vez deles. Estava claro. Havia intimidade ali. Havia conhecimento. Havia a memória muscular de corpos que já se encontraram antes, muitas vezes, em muitas posições, e que agora se reencontravam com a familiaridade de amantes antigos. A compreensão atingiu Osmar como uma nova faca: esse era um dos primeiros vídeos, mas não era o primeiro encontro. O homem já a possuía antes de filmá-la. Antes de ensiná-la a olhar para a câmera. Antes de chamá-la de princesa.
Ela começou a cavalgar.
Osmar não conseguia desviar o olhar. O movimento do corpo de Alya era fluido, as coxas trabalhando, a cintura fina ondulando sob a mão grande do homem. Uma mão que a segurava firme, que a controlava, que a mantinha no ritmo certo. A outra mão subiu até o peito dela. O polegar e o indicador encontraram o mamilo e o beliscaram um toque preciso, nem suave nem violento, a medida exata que arrancou um gemido mais alto. O mamilo ficou vermelho. Ela mordeu o lábio inferior e continuou cavalgando.
Osmar tinha que reconhecer: ela estava linda. Não a beleza artificial das atrizes pornôs que ele consumia, com gemidos ensaiados e expressões estudadas no espelho. Era outra beleza. A beleza do amadorismo. A beleza de uma garota inexperiente que não estava fazendo um show para a câmera estava aproveitando o sexo. De verdade com um homem adulto.’Com os olhos fechados, os lábios entreabertos, a testa levemente franzida de concentração e prazer. Ela não olhava para a lente. Não fazia poses. Não pronunciava palavras obscenas. Ela simplesmente sentia. E era exatamente isso a verdade daquilo que tornava tudo insuportavelmente excitante.
O som dos corpos se encontrando preenchia o áudio. Pele contra pele. Umidade. O estalo rítmico do pau entrando e saindo. E por trás disso tudo, o gemido de Alya, contínuo e crescente, como uma nota musical que vai subindo aos poucos. Osmar percebeu que estava prendendo a respiração. Soltou o ar devagar, o pau dolorosamente duro dentro da cueca, mas ele não se tocava agora. Não queria. Estava hipnotizado demais para desviar a mão da tela.
Alya cavalgava mais rápido. O homem a ajudava, as duas mãos agora na cintura dela, guiando o sobe-e-desce. Ela apoiou as mãos nos joelhos dele e inclinou o tronco para frente, mudando o ângulo, e o gemido ficou mais agudo. Ela estava perto. Dava para ver. Osmar conhecia aquele corpo ou acreditava que conhecia. A respiração ofegante, os mamilos duros, o suor que começava a brilhar na testa e entre os seios.
Ela estava perto. E Osmar estava mais longe do que nunca.
A câmera continuava filmando, impassível, capturando cada segundo daquela intimidade que não lhe pertencia. E ele continuava assistindo. Porque não conseguia parar. Porque aquela era sua Alya — e ao mesmo tempo não era mais. Era uma Alya que ele nunca conhecera. Uma Alya que outro homem despertara. E a pior parte era que ele queria estar ali. Não no lugar do homem. No lugar da câmera. Assistindo. Sempre assistindo.
O pensamento o envergonhou. E a vergonha o excitou ainda mais.
O vídeo terminou. A tela escureceu. E no silêncio do quarto, Osmar ficou parado, o celular na mão, o reflexo do próprio rosto flutuando sobre o vidro escuro como um fantasma.
Eu conheço esse homem.
O pensamento não chegou como suspeita. Chegou como certeza. Algo no rosto dele a barba curta, o cabelo escuro, o sorriso calmo cutucava uma memória que estava ali o tempo todo, escondida sob a excitação e o ciúme e a fome de mais vídeos. Agora, no silêncio que sucedeu ao gemido final de Alya, a memória emergia.
Osmar abriu o Instagram. Seus dedos se moveram sozinhos, como se o corpo soubesse o caminho antes da mente. Foi ao perfil da ex-mulher. O ícone dela uma foto sorrindo, a mulher que um dia amou e acho que seria o
suficiente.
Rolou o feed. Fotos de café da manhã. Fotos de livros. Fotos dela sorrindo com os olhos apertados, passei com as amigas e várias fotos com seu amada filha.
Então ele encontrou.
A foto era recente. Um jantar à luz de velas. Duas taças de vinho. Sobre a mesa, mãos entrelaçadas a mão dela, que ele reconheceria em qualquer lugar, e a mão grande, de dedos grossos, que ele vira tantas vezes nos vídeos abrindo as pernas de Alya, agarrando sua cintura, beliscando seus mamilos. A legenda dizia:
Jantar romântico com meu amor. 💕
E abaixo, a marcação. O nome. O rosto. O sorriso calmo.
O homem dos vídeos.
Osmar clicou no nome. O perfil se abriu como uma porta para um quarto que ele não deveria ver. E lá estava ele — o amigo, o paizinho, o diretor, o professor de putaria. Fotos com sua ex, fotos com sua filha. Fotos na praia. Fotos no shopping (o mesmo shopping do vídeo, percebeu agora, o mesmo tomara-que-caia rosa). A bio dizia algo banal sobre trabalho e viagens. Nada sobre ser o homem que filmava sua filha nua e enviava os vídeos para o pai dela.
Osmar largou o celular sobre o peito. Ficou olhando para o teto escuro. As peças se encaixavam com um som surdo, como fechaduras sendo trancadas.
O homem dos vídeos não era um estranho. Não era um amante qualquer. Era o novo marido da mãe de Alya. O homem que ocupara seu lugar na mesa de jantar, na cama, na vida. O homem que agora a levava a motéis e a shoppings e a banheiras. O homem que a ensinara a ser puta ou que a libertara para ser, dependendo do ângulo. O homem que filmava tudo.
E que, por algum motivo, enviava tudo para Osmar.
As perguntas que queimavam antes agora eram um incêndio só. Por que um recém-casado enviaria vídeos íntimos da própria enteada para o pai dela? Que tipo de homem faz isso? Exibicionismo? Vingança? Um fetiche de compartilhamento que Osmar não conseguia compreender? Ou algo mais sombrio uma humilhação calculada, um lembrete constante de quem tinha Alya e quem a perdera?
E Alya? Sabia que seus momentos mais íntimos estavam sendo enviados para Osmar? Sabia que cada gemido, cada gozo, cada "sim, paizinho" chegava ao celular do pai na calada da noite? Ou era tão inocente quanto parecia naquele primeiro vídeo.
Osmar pegou o celular de novo. Olhou para o perfil do homem. Para o rosto que agora tinha nome e sobrenome. Para o sorriso calmo que ele vira pela primeira vez no vídeo e que agora o encarava numa foto de dia dos namorados.
O amigo. O 7Tt22. O paizinho. O padrasto
E então o celular vibrou.
7Tt22: Descobriu, não foi? Levou mais tempo do que eu esperava, amigo. 😃
Osmar sentiu o sangue gelar. O homem sabia. Sempre soubera. Ele esperava ser descoberto. Talvez quisesse ser descoberto. E o emoji aquele mesmo rostinho amarelo sorrindo da primeira conversa estava ali de novo, zombando dele, lembrando-o de que nesse jogo, ele não era o caçador.
Nunca fora.
7Tt22: Quer continuar recebendo os vídeos ou prefere parar por aqui?
A pergunta era uma armadilha e Osmar sabia. Mas seu polegar já estava se movendo. Porque ele também sabia a resposta. Sempre soubera.
******££
Gostaram? 💕
Confesso que, quando comecei a escrever essa história, a ideia era que fosse um capítulo único. Um conto rápido, daqueles que a gente escreve quase num fôlego só. Mas aí... bem, a continuação veio. E veio de um jeito que eu não esperava.
Tive um sonho. Um sonho super erótico, daqueles que a gente acorda com o coração acelerado, o corpo quente e vou ser sincera a calcinha molhada. Kkkkkkk.
Qual foi sua parte favorita até aqui? Foi o banheiro do escritório? A varanda com o gelo? O primeiro vídeo, com a Alya ainda tímida e inocente? A revelação final?
O que vocês esperam do próximo capítulo? Alya sabe que está sendo filmada? Ela é cúmplice ou vítima? O que o novo marido quer de verdade com Osmar? E Osmar... até onde ele vai?
E, claro, o que vocês imaginam que pode acontecer? Porque confesso: as teorias de vocês nos comentários me dão ainda mais vontade de escrever. 😏
Deixem aí embaixo suas partes favoritas, suas teorias e suas expectativas. Quero ler tudinho.
Até o próximo capítulo, suas pervertidas e pervertidos.
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